Roda de conversa: 4 mulheres voluntárias pelo mundo e o empoderamento feminino


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Mariana

Nov 07, 2018

Apaixonada por tudo que é transformador. O mundo é de trocas e tô pronta para deixar e receber :)

Ouça nosso podcast com uma roda de conversa com as 4 mulheres viajantes e colaboradoras da Worldpackers: Mariana Paranhos, Luiza Delanieze, Caroline Pereira e Marla Cruz.

Brazil Podcast em:
português

Bem vindos viajantes da Worldpackers! Eu sou Mariana e a gente está em mais um Podcast aqui para falar para vocês quem são as mulheres da Worldpackers. Carol, é com você!

Carol: Mulheres da Worldpackers:

  • Quem são?
  • Por onde passaram?
  • Onde vivem?

Hoje no Podcast da Worldpackers!

Mariana: Gente, pra galera que tá escutando aqui a gente hoje, se você gostou deste Podcast dá um like, não esquece. Não deixe também de seguir as nossas páginas no SoundCloud e no iTunes. Porque é muito importante para a gente essa avaliação sua e é isso que vai fazer com que o nosso canal cresça e que a gente possa trazer mais conteúdo de qualidade para vocês.

Como a Carol falou, hoje a gente vai falar sobre o tema:

“Quem são as mulheres da Worldpackers?”

Muita gente não conhece, muita gente não tem ideia. A gente é gente como os viajantes, a gente é gente como você e a gente tem experiência também para contar como voluntárias, claro, e é por isso que a gente está aqui hoje. Nós somos quatro meninas: Mariana, Marla, Carol e Luiza

E Marla, por favor comece se apresentando, quem é você, qual sua idade, o que você faz, fala aí pra a gente.

Marla: Oi pessoal, eu sou a Marla, eu tenho 28 anos e eu conheci a Worldpackers em 2016, acho que eu já tinha ouvido falar antes, mas quando eu fui pesquisar de fato foi 2016 e até então eu fiquei viciada nesse estilo de vida de voluntária. Já fiz cinco voluntariados pela Europa e...o que mais precisa falar?

Mariana: Seu lugar preferido no mundo!

Marla: Vixe, é muito difícil, mas, cara, quando você viaja para muitos lugares e conhece pessoas incríveis é muito difícil falar um lugar exato assim. Mas eu acho que pelo conjunto de pessoas, de paisagem e também de histórico talvez seja a Islândia.

Eu sempre sonhei desde pequena em ir para lá e ser voluntária me proporcionou isso, porque é um país muito caro, mas é um lugar incrível. Tudo em função da natureza, então todo lugar que você olha é montanha, é paisagem, é rio, é mar, enfim...eu acho que deve ser esse.

Mariana: Islândia! Boa, e fala aí com o que você trabalha hoje.

Marla: Hoje eu trabalho com a Worldpackers, sou da equipe de marketing. Eu sou designer, minha formação é em design gráfico, e aqui eu faço um pouco de design e um pouco de marketing.

Mariana: Boa!

Carol: Bom gente, eu sou a Carol, tenho 25 anos, conheci a Worldpackers no ano passado, em junho mais ou menos, num momento bem tenso da minha vida. Eu tinha acabado de ficar desempregada, em um emprego que eu estava há três anos e daí eu decidi viajar e não tinha tanta grana, o que eu conseguia fazer com a grana que eu tinha era um voluntariado e eu descobri que é muito mais do que só poupar o dinheiro. É uma experiência muito louca.

E aí eu resolvi ir pra Irlanda, fui pra Dublin e depois dei um rolê na Europa por três meses. De setembro ao final de novembro do ano passado. Voltei e acabei vindo aqui para Worldpackers. Hoje eu cuido da parte de anfitriões, então toda parte de comunicação, ativação, tudo que for relacionado aos anfitriões da Worldpackers.

O meu lugar favorito no mundo acho que é muito mais pelo sentimento que eu tive: Cliffs of Moher, na Irlanda. Foi o lugar que eu mais senti paz na minha vida, então eu diria que é muito o resumo do que eu senti depois da experiência como um todo, é um sentimento de uma paz infinita, então resume muito a experiência para mim.

Mariana: Legal! Lu?

Luiza: E aí galera, eu me chamo Luiza, conheço a Worldpackers há uns dois anos também. Eu comecei a viajar pela Worldpackers em 2016. Eu tava recém desempregada de uma empresa que fechou meio que do nada.

Daí eu decidi que viajaria por que estava descontente com várias coisas da vida e acabei caindo na Bahia. Um voluntário muito incrível que eu tive, inclusive eu acho que lá é um dos meus lugares preferidos do mundo. Acho que não se trata só da vista e das paisagens, é toda uma questão sentimento, todo sentimento de liberdade, alegria e paz que eu senti lá na Bahia. Acho que lá é um dos meu lugares preferidos do mundo.

Mariana: Uma praia específica, tem?

Luiza: A Praia do Espelho! E hoje eu trabalho aqui criando conteúdo, sou formada em Jornalismo e recebo os artigos da galera que viaja e conta a história de vida deles, de transformação, então todo dia eu leio histórias de transformação de pessoas que foram voluntárias e é incrível isso.

Mariana: Muito bom, né? Bizarro que a gente trabalha aqui e a gente trabalha ouvindo os relatos dos viajantes e vendo as posições que existem pelo mundo e a gente fica cara, sei lá, parece que tá viajando, que a gente está com eles.

Luiza: Todo dia eu quero ir para um lugar diferente.

Carol: Imagina eu, né? Que cuido dos anfitriões. Cara, é uma coisa louca porque você vê cada oportunidade incrível que você pensa “Cara, porque que eu não estou na estrada agora?”

Luiza: “Cuidar de ovelhas na Itália”.

Carol: Pois é, tem umas coisas muito bizarras:

“Ajudar numa fábrica de chocolate no Peru”

Ficar na recepção para comer chocolate o dia inteiro, que sensacional, sabe? Meu sonho de vida.

Mariana: Aí você fica no computador “Caramba cara, podia estar nessa posição, que dilema, né?”.

Luiza: É um dilema!

Mariana: Então gente, eu sou Mariana, eu trabalho também na Worldpackers, eu conheci quando eu me formei em publicidade e propaganda.

Eu queria desenvolver meu idioma, também não tava trabalhando e queria aprender inglês. Me comunicar melhor, eu não conseguia falar direito, mas eu entendia.

Eu não queria ir para um lugar muito manjado, né, tipo Inglaterra ou Estados Unidos. Então eu resolvi ir para Holanda, em Rotterdam! E, eu queria fazer um intercâmbio barato porque não podia pagar um curso de idioma, essas coisas são muito caras.

Então, uma amiga minha viu algum post que alguém tinha colocado no Facebook falando sobre “Intercâmbios que você troca as suas habilidades por acomodação e outros benefícios”. Ela me mandou o link e eu achei uma ótima ideia, nunca tinha ouvido falar. Mas..será que é confiável?

Um pouco acho que todo mundo sentiu aqui, né? Tipo, é de verdade?

Luiza: Eu tinha um amigo que já tinha ido quando eu fui. Ele tinha sido worldpacker no Chile, então eu tive muito mais confiança.

Mariana: Isso passa mais confiança. Mas eu não conhecia ninguém, até cacei a galera, mas não conhecia. Enfim, decidi ir do mesmo jeito, apliquei para vaga num hostel e aí eu conheci minha anfitriã por Skype. Foi rapidinho, a gente só conversou e ela falou: “ah, você pode vir essa semana?”. E eu falei “posso”.

Eu não tinha passagem, eu não tinha nada e por sorte eu peguei uma passagem de ida e volta pela TAP que foi super barata e cheguei lá. Nem pensei duas vezes por que eu precisava ter aquela experiência. Não só pelo idioma, mas porque eu queria sair da minha rotina, queria ter uma nova experiência e é isso, hoje estou aqui.

Mas calma, o que eu faço. Eu trabalho justamente no time de marketing, junto com a Marla, a gente é responsável pela produção de conteúdo, pelos Podcasts, por vídeos, enfim. Toda essa parte de produção de conteúdo, de inbound marketing que a gente chama, e também pelas redes sociais: Instagram, Facebook essas coisas todas a gente cuida aqui fazendo a curadoria.

Meu lugar preferido no mundo é no Brasil, é na Chapada dos Veadeiros, não sei se vocês conhecem.

Carol: Ah, eu conheço sim. Tá no meu wishlist.

Mariana: Eu já fui três vezes lá e por mim eu iria todo ano porque é uma energia muito boa, natureza, cachoeira, as pessoas que eu conheci que moram lá, assim...eu acho que é um lugar que, não sei, pretendo passar minha velhice lá talvez, na vila de São Jorge.

Marla: O legal da Chapada é o lance de carona né? E tem uns pontos fixos de carona e é uma coisa super natural. Eu lembro que eu fiquei numa casa/hostel de uma mulher super jovem e ela sempre perguntava porque que a gente não pegava carona, como se fosse natural, como pegar ônibus. Isso é uma coisa muito louca, no mundo que a gente vive hoje de perigo e tal. É muito louco você viver num lugar que dá carona, essa coisa de colaboração que é muito enraizado.

Mariana: É isso, tem muito de Alto Paraíso para São Jorge, para Brasília, é bem bacana, bem colaborativo.

Bom, mas falando sobre os nossos voluntariados, acho que a gente já pode entrar nesse tema. Vou começar contando um pouco da minha experiência, como que eu fui, vocês podem também ir falando, dando pitaco, que a gente está aqui para isso.

Eu tava falando que eu tinha me formado e queria fazer uma experiência, apliquei e fui, ai lá vou eu, Mariana, com uma mala gigantesca, toda errada. Fui para passar 3 meses e cara, um mochilão nas costas e uma mala dentro da outra. Falei “Cara, sei lá o que que vai acontecer, né? Vou levar mala”. Aí cheguei lá, por sorte tinha uma portuguesa na recepção, a Sara.

E cara, foi muito bom assim, que de cara a gente se bateu, só que rolou aquele medo: “puts, será que as pessoas vão gostar de mim? Sei lá, eu não sei falar direito inglês”. Rola muito um auto julgamento, sabe?

Marla: E ainda você fica pensando que você vai ficar lá três meses no mesmo lugar.

Mariana: Exato, vai que dá alguma coisa errada, entendeu? Mas assim mesmo tentei ser simpática, mas a ideia era mesmo chegar, ser receptiva, contar da minha história e ficar fazendo amizade. E cara, deu certo. Cheguei lá, botaram um cafezinho, bolinho, papo vem, papo vai, hora de dormir. Aí eu fui dormir, só que eu estava tão cansada que deu 9 horas da noite eu deitei para dormir.

Mas às vezes eu sou sonâmbula e às vezes eu acordo no meio da noite falando, às vezes eu me levanto, sei lá. Tinham anos que eu não sentia isso e que eu não era sonâmbula nem acordava no meio da noite. Mas na minha primeira noite eu acordei gritando. Eu não sei o que eu tava sonhando aí eu falei “velho, acabou meu voluntariado, pessoas vão achar que eu sou louca”. Acordei e era tipo meia noite, gritando, falando as coisas.

Ai eu só escutei as movimentações na beliche de baixo, tipo alguém tinha acordado com meu barulho eu fiquei noiadíssima. Mas tá, eu fingi que nada aconteceu. Depois de um mês eu contei isso para galera e a galera: “Cara, eu nem percebi eu não escutei nada.” Então beleza.

E assim, depois foi tudo muito fluindo, sabe? Eu dividia o quarto com umas três ou quatro voluntárias então era eu do Brasil, uma menina da Grécia, outra menina da França, um cara da Polônia e outro da Espanha. E fluiu muito bem desde o início. A gente ficou muito amigo, a gente conversava, saia, era tudo muito colaborativo, muito respeitoso e assim, foi incrível.

O medo foi passando, você vai aprendendo, você vai desenvolvendo o idioma então você acaba fluindo e se comunicando melhor. E a galera te chama para ir pra tal lugar, pra sair, tomar uma cerveja. E quando você vê, você já está vivendo como uma pessoa local. Eu acho que assim, do meu primeiro impacto o que eu posso falar foi isso. Como é que foi no de vocês?

Luiza: O meu voluntário, como eu comentei, foi lá na Bahia. Eu viajei um dia todo para chegar lá, porque você chega em Porto Seguro, depois pega uma van, aí cheguei lá de noite e já tive a maior afinidade com o anfitrião, ele era um cara muito gente boa, e uma das coisas que eu tinha pesquisado antes era que parecia um lugar mente aberta, e eu descobri que o anfitrião era gay também, então eu fui muito tranquila para lá e a gente já teve maior sintonia.

Como Trancoso é muito pequena, os jovens de lá tornam o hostel um lugar social, então eles vão para lá tomar cerveja e encontrar os poucos habitantes que tem em Trancoso. E aí eu cheguei lá e a galera já estava se arrumando para ir no Luau na praia. Eu tava há meia hora na Bahia eu já estava dando rolê com a galera que mora lá, sabe? Foi uma delícia. Uma das coisas que aconteceu é que era um hostel pequeno, então tinham dois quartos e eu dormia em um com outros hóspedes.

No começo eu achei que ia ser um problema, tipo, o tempo todo gente diferente. “Que saco, não quero, vou ficar incomodada”. Só que eu descobri que era maravilhoso. A cada três dias era uma pessoa diferente perto de mim com outra história, outras percepções de vida e eu achei incrível, sabe, essa troca.

O tempo todo eram pessoas diferentes. E aí eu acho que o que mais me impactou, mais do que a paisagem, mais do que o lance do colaborativo, foi esse lance do conhecer pessoas, conhecer histórias e outras percepções e ver como o mundo é grande e como tem cultura e como tem mil formas de ver a vida. Acho que foi o que mais impactou na minha primeira viagem.

Mariana: E o que você fazia lá no hostel?

Luiza: Lá era meio que de tudo um pouco, porque como era pequeno não tinha muita organização certa de shift ou de função, eu acordava, preparava o café da manhã, comprava pãozinho, passava o café e tal. Aí terminava o café da manhã eu lavava a louça, dava uma geral na casa, mas assim, só arrumar mesmo. Arrumar a cama de quem tinha saído e praia. A tarde toda livre. Só sábado de manhã que a gente fazia uma faxina pesada mesmo, mas aí o anfitrião me ajudava.

Carol: Bom, eu fui recepcionista/fazer a parte do café da manhã e de tudo um pouco. Era uma Guest House, não era um hostel lá em Dublin mesmo.

Também cheguei a noite. Chega a noite é um negócio bizarro porque você chega em um ambiente completamente desconhecido e não rola dormir, tem que socializar. Então, eu tinha viajado muito tempo porque eu fiz escala em Paris, aí depois eu peguei outro voo para Dublin e estava cansada

Mas beleza, eu cheguei lá a noite e a pessoa que trabalhava lá no hostel também morava lá, e aí eu cheguei falando inglês com ela crente que ela era irlandesa. Ela olhou para mim e falou: “você é brasileira, né?”. Então eu estava falando inglês de bobeira, que legal!

E aí ela se tornou uma grande amiga, irmã, e cara, eu falo com ela, mesmo depois de um ano, quase todo dia. É muito essa coisa de como você cria uma família mesmo sabe, com as pessoas que você vai conhecendo na estrada.

Mariana: É porque eu acho que você tá num novo lugar, você não conhece absolutamente nada nem ninguém, você acaba virando família dos outros e os outros também te acolhem. Então meio que você faz tudo junto, você vive aquele lugar como local, como sua nova família.

Carol: Sim, e cara, eu convivi com essa minha amiga muito mais do que convivo com muita gente, mais que amigos de muitos anos, sabe? Então acordar e ver a pessoa, dormir e ver a pessoa. É uma coisa muito louca, é uma dinâmica muito louca.

Aí cheguei lá, no outro dia comecei a fazer as atividades e tal. Era um trampo bem tranquilo de fazer. No dia a dia sempre tem um perrengue ou outro e aí isso é legal, porque você aprende tanta coisa.

Uma vez chegou um cara bêbado de um casamento, ele escorregou na escada e quebrou o pé. Olha a bobeira.

O cara era espanhol e o atendimento de saúde lá de Dublin é um negócio louco, é um país super organizado mas na parte de saúde é meio bizarro. Eles ficaram horas no pronto-socorro, ele ia ter que fazer uma cirurgia e o mais legal era que a família inteira, né, eles eram espanhóis, e nem falava inglês. O meu espanhol é tipo um portunholzinho, sabe, não é aquelas coisas maravilhosas.

Então eu tinha que entender o que estava acontecendo com eles para poder ajudar, para poder chamar ambulância, para poder fazer todo o suporte para os caras. Então são os perrengues você fala “mano” e na hora “cara, como é que eu vou resolver isso?”, mas no fim dá tudo certo!

Acho que é isso a viagem: perrengues, mas no fim dá tudo certo.

Marla: Bom, eu tive uma experiência diferente de vocês porque na minha primeira viagem de voluntariado eu arrastei meu irmão para ir comigo. Meus pais estavam meio na dúvida “nossa, mas é confiável?”. Então eu falei “Bom, vou levar meu irmão comigo”, o que deixou eles mais desesperados. Era para Málaga, na Espanha, e a gente chegou de manhãzinha e o hostel ficava dentro de um desses prédios antigos e a gente chegou, tipo assim, 6 horas da manhã.

Aí veio o menino lá da recepção, que não era 24 horas, aí ele abriu e eu pensei “Poxa, seria legal chegar e já dormir”, porque eu tava muito cansada, mas não, o cara queria conversar, o menino da recepção, um amor.

Aí a gente ficou lá conversando, ele explicou como é que era e aí eu fiquei quase um mês lá com meu irmão trabalhando e era bem tranquilo. Tinha cinco quartos no hostel, tinha uma mulher da limpeza que ia todo dia, então a gente não precisava se preocupar com isso.

Às vezes, por ser muito tranquilo o hostel, a gente queria ajudar a limpar, limpar a cozinha. A gente mesmo queria alguma coisa para fazer e tínhamos o resto do dia livre.

A gente trabalhava quatro horas, mas eu e meu irmão a gente sempre ficava junto, né? E tinha dia livre, a gente saia e aí quando tinha dia de folga, a gente foi conhecer outras cidades. Então foi bem legal.

E aí de lá eu fui para Bélgica. Meu irmão voltou para o Brasil porque ele estuda e eu fui para lá. Foi aí que eu senti o lance de viajar sozinha na experiência de voluntariado.

Aí lá na Bélgica já foi assim, eu lembro que eu cheguei e o quarto tava uma zona. O quarto dos voluntários. Tinham dois brasileiros, um casal de brasileiros e um argentino. Já foi uma experiência totalmente diferente. O hostel era gigante, tinha oito andares, tinha muita gente entrando, gente saindo o tempo inteiro. Aí já tinha limpeza, recepção, exigia mais de você. Porque na Bélgica, esse lugar especificamente, era muito para estudante, então vinha muito estudante de todos os lugares, Dinamarca, enfim.

Aí eu já senti que foi uma experiência realmente de voluntariado que vai ter as tretas, né? Do tipo, sei lá, entraram em assaltaram o hostel em uma hora que eu estava na recepção.

Era um grupo de mexicanos que chegaram e a porta sempre ficava fechada. Quem era hóspede tinha um cartãozinho que abria a porta. Só que o cara, a gente viu pelas câmeras, o cara bateu na porta e um dos mexicanos, enquanto eu estava fazendo check-in, abriu a porta.

Então enfim, o que eu sempre coloquei na minha cabeça quando eu viajava era assim “eu não sou profissional”, se você for tomar as dores de todo mundo tipo “ai meu deus, olha que eu fiz”, aí talvez a viagem não seja tão boa, né? Você tem que ter a noção de que você faz o que você pode.

Desde o início, quando eu soube disso, que eles entraram e roubaram a bolsa de uma menina mexicana, na hora fiquei meio em choque tipo “caraca, o que é que eu fiz, eu deveria ter ficado mais atenta”. Depois eu vi que eu fiz o que eu pude. Gente entra, gente sai o tempo inteiro, o grupo tinha uns cinco mexicanos que estavam na minha frente e eu não podia ver. Depois, quando chegou o gerente, ele também falou que realmente não tinha o que fazer, para eu não me preocupar, que acontece e é isso, esses perrengues.

Também já teve outra situação parecida, e eu acho que é isso mesmo, o tanto que você tem de contato com pessoas diferentes, vindo da Índia, de vários lugares, você vê que todo mundo busca meio que o que você também busca, né?

Se abrir, conhecer outras pessoas e se tornar pessoas melhores.

Eu acho que no fundo todo mundo quer se tornar uma pessoa melhor e quando viaja faz o possível.

Mariana: Eu tava lembrando aqui, por eu não ter inglês fluente o suficiente, eu acabei ficando em turnos de limpeza e do café da manhã, que eu não precisava ter muita comunicação com os hóspedes nem com os outros funcionários. Limpeza era limpeza geral. Não só dos quartos, mas da cozinha, dos banheiros, chuveiro, tudo e, não sei vocês, mas eu nunca tinha lavado uma privada na minha vida.

Luiza: Eu já, eu já cheguei especialista! (risos)

Mariana: Gente, desculpa, eu fui criada de uma forma diferente, meus pais sempre tomaram frente disso e nunca ninguém chegou, pegou minha mão e falou “você tem que fazer isso”. Hoje eu lavo uma privada como ninguém. Aí assim, são esses perrengues do tipo nunca lavei uma privada, não tinha noção de como era limpar o ralo do banheiro, tirar cabelo e essas coisas e, assim, você vai fazendo isso de uma forma tão leve, tão divertida com os outros voluntários que, sei lá, não parece que você está numa função “ai que saco, vou ter que fazer isso”. Não, eu acho que por ser leve, estar em outro ambiente, isso torna as coisas mais divertidas.

É engraçado, quando eu voltei pro Brasil, fui fazer uma entrevista de emprego em uma consultoria e ai cara, eu tava tão empolgada que eu soltei essa. Falei “Eu lavava privada no hostel, eu tô preparada para qualquer coisa, sabe. Pode me contratar". E cara, deu certo. Eles me contrataram!

Enfim, são essas histórias da vida que você vai vivendo. O Brasil tem muito esse preconceito do "sub emprego", faxina, você vai fazer café, que horrível. Lá fora não tem nada disso

Carol: E é absurdo porque assim, o meu primeiro choque foi na primeira semana que eu tava lá, eu nunca tinha viajado para fora, muito menos sozinha. Eu cheguei lá e fui numa pizzaria e o atendente falava cinco línguas, eu falava “Cara, eu falo três bem mais ou menos e assim, lá no Brasil é como se fosse algo bizarro já, entendeu?”, aí você percebe que na cultura da Europa por exemplo é super comum tipo eles falam 5 línguas numa boa e eles têm empregos assim, recepcionista, atendente, garçom e tudo bem. A sociedade não fica tipo assim “nossa, porque é garçom”, meu, que se dane, é um emprego como qualquer outro e é tão digno como qualquer outro e é bizarro a gente olhar como o Brasil vê isso como a nossa cultura vê isso.

Luiza: Tinham hóspedes que não conseguiam entender porque eu, fazendo faculdade e tendo uma vida tranquila aqui em São Paulo, decidi limpar banheiro lá na Bahia. Para mim faz muito sentido, mas muita gente tem preconceito ainda com essa história de “sub emprego”. Pra mim, limpar para ficar de graça em Trancoso tá ótimo!

Mariana: Cara, é muito bom isso que você falou de aproveitar esse voluntariado para você acabar conhecendo um novo lugar. Essa era minha intenção, eu queria viajar pela Europa também.

Eu fui na intenção de desenvolver o inglês e tal, mas eu queria também viajar por lá e aí eu trabalhava cinco dias na semana e quatro horas por dia. Às vezes era das sete às onze horas da manhã e quando era no turno da limpeza era das 11h às 15h. Nos meus dias livres, que eram dois dias na semana, eu negociava com a minha anfitriã para ela me dar esses dois dias livres juntos. Então sei lá, quinta e sexta ou terça e quarta e aí eu ia viajar sabe? Lá na Holanda é incrível, umas cidadezinhas pequenininhas você fala "Velho, eu vou morar aqui agora".

Marla: Nossa, Haia é incrível.

Mariana: Sim! E aí eu fui para lá, eu dormi num hostel, eu fui sozinha. Eu botei a mochila, eu queria conhecer. Eu fui para Gouda também, que é a cidade do queijo. Velho, tem uma feira lá todos os sábados de manhã, feira livre assim, de queijo, com queijos que você nunca ouviu falar na vida.

Marla: Fora a degustação!

Mariana: E tinham uns queijos que sei lá, era assim, duas peças de queijo por 1 euro, 2 euros, e cara, queijos coloridos, queijo de lavanda, queijo de cerveja. Mas cara, delicioso!

Marla: Você comeu queijo de lavanda?

Mariana: Cara, comi. Maravilhoso!

Marla: Porque, sei lá, eu fico sentindo meio gosto de sabonete ou Veja.

Mariana: Mas era muito gostoso. E rolava isso, eu aproveitava meus dias livres não só para conhecer a cidade, assim, conheço Rotterdam de cabo a rabo, porque acabava meu turno e eu ia bater perna na rua.

Marla: E é pequenininha também, né?

Mariana: Sim, mas também, final de semana eu ia para Amsterdã em 50 minutos de trem, então assim, rolava muito isso de aproveitar meu tempo livre, sabe? E outra coisa que eu ia falar, como eu conheci a Marla.

Marla: Eu amo essa história. Eu tava lá em Antuérpia, na Bélgica, como voluntária, e eu queria ir para Amsterdam, óbvio. Então lá a gente tinha dois dias de folga por semana, mas se você fizesse uma horinha a mais alguns dias, você conseguia conversar. Eu peguei três dias. Só que Mate, um argentino que eu fiz super amizade, já tinha ido para Amsterdam e a gente queria fazer uma viagem juntos. Ele estava estudando arquitetura e ele falou sobre a arquitetura de Rotterdam, que tem uma arquitetura diferente.

Passamos um dia lá e no dia seguinte eu ia para Amsterdam e ele voltaria pra fazer o que quisesse. E aí, como a gente ia dormir em Rotterdam, a gente "bookou" o hostel, que foi o primeiro que apareceu, muito lindo, e foi ai que eu conheci a Mariana.

Carol: Inclusive, quando eu fui para Rotterdam, que Mariana não estava mais lá, nem Marla, eu fiquei no mesmo lugar e tinha a gatinha também, a Suzie.

Mariana e Marla: "Ah, a Suzie!"

Mariana: Ela era incrível, como que era o nome da raça?

Marla: Putz, não sei nada de raça de gato.

Mariana: Mas ela era um gato super específico, sei lá, da Indonésia. Enfim, ela era linda e eles criavam a gatinha lá e, inclusive, era do meu turno colocar comida para gatinha nos potinhos dela, tirar o pelo dela.

Mas então eu estava lá um dia, acho que era no turno da limpeza, com aquelas luvas amarelas, cheirando água sanitária e eu estava falando em português com a Sara, que estava lá na recepção. E aí a Marla vira "Ah, você é brasileira!" e eu falei "Sou, você também, ai que legal!", então começamos a conversar.

Foi demais, porque a gente conversou e depois do nada, a gente nem saiu em Rotterdam, os horários não bateram, mas a gente combinou de se encontrar em Bruxelas. Aí eu peguei esses dois dias livres, fui de ônibus para lá e a gente se encontrou em Bruxelas. Antes eu tinha passado em Bruges, fui de trem.

Marla: Acho que era assim, a gente combinou porque era a primeira quarta-feira do mês e todos os museus na Bélgica são gratuitos.

Mariana: Foi isso! Aí eu fui primeiro para Bruges, depois peguei um trem para Bruxelas, encontrei com ela e com outra galera que ela tava, e a gente fez o rolê dos museus.

Voltamos para o Brasil e a Marla "Ah, estou trabalhando na Worldpackers”. Aí eu falei "Oi?" "Que legal, meu sonho!”, e ela virou e falou "Ah, tem vaga no time de marketing."

Gente, o mundo é muito holístico, sabe? Olha que doideira, enfim, vim, deu tudo certo, rolou o "fit".

Marla: E eu tô na Worldpackers porque eu conheci a Carol.

Carol: Exatamente, eu tava viajando lá pela Inglaterra e eu ia fazer um "balão" começando pelo sul e ia passar lá pelo norte até voltar para Londres. Porque depois eu ia para Paris e aí eu apontei no mapa, tipo, abri no Maps e falei "Cara, eu vou no norte, mas para onde?".

As pessoas normais elas vão para York, elas vão para lugares que as pessoas conhecem, né? Mas aí eu apontei falei "Hm, Leeds, gostei do nome." É grande, é a terceira maior cidade da Inglaterra, e eu falei cara, deve ser bom, vou para lá.

E aí tinha um hostel super artístico, tal, sabe?

Marla: O único, né? (risos)

Carol: Ah sim, tem isso também. E aí eu falei "cara, bem legal, vou para lá." Aí eu cheguei e tinha a Marla lá na recepção. Fui fazer o meu check-in, ela viu o meu passaporte de brasileira e falou "Ah, você é brasileira" (essa é a introdução para muita coisa) e aí era o último dia da Marla no hostel e tinha a despedida dela. Eu me infiltrei e virei amiga dela. Começou aí, sabe, a portinha da intimidade? A gente chega na bicuda, não tem problema.

Eu descobri que ela era designer e tal, a gente começou a se seguir nas redes sociais e manteve contato. Ela continuou viajando, eu também. Eu voltei para o Brasil e vim para Worldpackers para fazer um "freela" de marketing digital. Fiquei uma semana e no final dessa semana me contrataram para cuidar dos anfitriões.

E aí, o Eric virou e perguntou se eu tinha alguma indicação, porque eles precisavam de alguém que preferencialmente fosse worldpacker e que conseguisse seguir com seu projeto. Eu falei “Cara, putz, tem uma designer que eu conheci em Leeds que é muito boa”. E aí eu indiquei a Marla e foi onde tudo começou.

Mariana: Carol que puxou a Marla que puxou a Mariana.

Carol: E as três ficaram no mesmo hostel Rotterdam, tem muita conexão.

Luiza: Que história linda!

Mariana: Mas gente, falando agora do tema “mulheres viajando sozinhas”. Saindo por aí, pelo mundo seja Brasil ou fora, o que vocês ouviram?

Carol: “Você tá maluca?”. Muita gente vira pra gente e fala "Nossa, mas você vai sozinha? Você tem certeza?", "Não é perigoso?". A gente escuta tanta coisa ruim, tanta coisa de problemas na imigração, de preconceito.

Marla: “Não vai ser trabalho escravo?”

Mariana: Trabalho escravo é clássico, né?

Carol: “O que que vai acontecer com você se der alguma coisa errada?” Sabe, eu acho que fui a primeira pessoa da minha família inteira sair do Brasil. Um negócio bizarro, então todo mundo estava apreensivo. Meu avô, meus tios, estavam tipo “Nossa, mas se acontecer alguma coisa lá não vai ter ninguém” e eu tipo ”Mas gente, calma. Todo mundo viaja sozinho, sai vivo e tá tudo certo.”

Viajar sozinho já é uma coisa que as pessoas geralmente falam “nossa, mas o que você vai fazer se acontecer alguma coisa?”, e a gente, por ser mulher, é um negócio que a gente tem os riscos a mais. Então é preconceito, é assédio, é violência no geral.

Mariana: Como em todo lugar, né?

Carol: E assim, eu tive muita sorte na minha viagem porque a Europa é um lugar de boa. Então um outro choque que eu tive em Dublin, na primeira semana que eu tava lá, era eu sair à noite, depois da meia-noite, sozinha, andando 40 minutos de vestido curto. Se você pensa em fazer isso em São Paulo ou em qualquer lugar do Brasil, Nossa Senhora né? Pesadíssimo. As pessoas super te julgam, falam “tava pedindo”, sabe?

Aquele papo bizarro assim. E cara, eu fui andando 40 minutos a noite sozinha e ninguém nem olhou para mim, sabe? Tudo certo. E eu falei “Cara, existe uma sociedade em que as pessoas reagem como humanos”, é bizarro a gente pensar desse jeito.

Marla: Nossa, uma das coisas que eu mais sinto falta é você poder ir, sei lá, para balada e você não precisar ter que esperar seus amigos. Sei lá, às vezes você quer voltar sozinha, sabe, “não quero ficar mais aqui” e às vezes você gasta um super dinheiro para voltar de táxi, ou enfim, você sempre tem que pensar três vezes. Lá não, sabe? Tipo, não estou afim, estou cansada, eu vou embora, eu vou a pé (porque lá tipo geralmente tudo é bem próximo) e essa liberdade é muito complicada. Quando você vai para um lugar que você sente livre e volta para o Brasil.

Luiza: Eu acho que é quando você volta para São Paulo, porque na Bahia senti muita liberdade também.

A paixão de viajar veio da minha mãe. Então eu comecei a viajar muito cedo sozinha. Quando eu tinha 18 anos eu juntei uma grana, comprei uma passagem para Dublin e fui, sem falar inglês, sem conhecer ninguém, sem nada. E minha mãe me apoiou.

Então minha mãe sempre foi uma pessoa que me apoiou, do tipo “vai sozinha mesmo porque o mundo é seu e se você ficar dependendo das pessoas você vai ficar aqui.”

Quando eu fui para Bahia eu tive essa tranquilidade e ela não se preocupou muito. O que acontece muito comigo é que as pessoas ficam abismados do tipo “você viaja sozinha?”, “você vai viajar sozinha mesmo?” e eu não consigo entender. Eu fico: “Sim, sozinha! Eu não deveria?”, porque eu acho que é assim, a sociedade em geral é perigosa para uma mulher.

Tudo bem, na Europa é menos, em cidades pequenas também menos, mas eu, em outros lugares viajando, não tomei mais cuidado do que eu já tomo aqui em São Paulo. Então eu pensei:

“Já que eu vivo numa sociedade perigosa para mulheres, então vou viver conhecendo outros lugares, porque aprisionada eu não vou ficar“.

Mariana: Eu acho que a gente precisa se preocupar como a gente se preocupa no dia a dia, como você falou. Então assim, sei lá, eu vou voltar tarde, tá bom. Vamos ver se eu volto acompanhada, se eu pego um Uber, sei lá, dividir um carro em vez de voltar a pé ou pegar um transporte público. Tem coisas assim no dia a dia que a gente, mulher, já está acostumada a fazer no lugar onde a gente vive e é só replicar lá fora. Cara, eu sempre falo isso: o mundo não é mau. As pessoas são muito melhores do que a gente imagina.

Marla: E tem muitas coisas que passam na TV, né?

Luiza: Eu vejo isso muito em relatos de pessoas que mandam aqui pra gente do tipo “existem mais pessoas boas do que ruins do mundo.”

Então tem realmente pessoas dispostas a te ajudar. Assim como você também está disposto a ajudar os outros. Existe essa troca onde você vê que o mundo não é essa coisa horrível que as pessoas mostram, que a TV mostra.

Mariana: E eu também acredito que quando você é uma pessoa do bem, que você faz coisas boas, as coisas boas vão voltar para você, sabe? Se você for uma pessoa solidária, que você respeita as diferenças, uma pessoa educada, sabe se colocar no seu lugar quando for a hora. As coisas boas vão acontecer com você e sabe, se você for gentil, você vai receber.

Carol: Você atrai as pessoas.

Marla: Eu só encontrei pessoas boas em todas as minhas viagens, impressionante. Eu até fiquei meio chocada, tipo “eu não vou ter nenhum perrengue de não me dar bem com alguém?”, mas eu percebi que é isso mesmo, porque as pessoas que eu não estava me dando bem, elas automaticamente foram se afastando e as boas foram se aproximando.

Luiza: Exatamente, você encontra pessoas com um sentimento igual o seu sabe, “eu quero viajar, eu quero conhecer o mundo”. Você sente isso em você quando você está viajando e conhece outras pessoas que têm esse espírito, você vê que você não está sozinha no mundo, que tá tudo bem, muitas pessoas pensam assim e vai. Sabe, você não é a única louca-hippie-desapegada, tá tudo bem.

Marla: Aliás, eu achei até que eu era a pessoa que a mala era a maior nos rolês, todo mundo só com uma mochilinha, usando sempre a mesma camiseta, total desapegado e eu aprendi a ser assim também, tudo bem aparecer nas fotos com a mesma camiseta.

Carol: Então, a gente tem umas neuras, tipo, é a mesma pegada do negócio de trabalho, a gente tem umas neuras de “não, porque eu não posso sair sem pentear o cabelo”

Luiza: Cara, eu fiquei num hostel que não tinha espelho.

Marla: O desapego é maravilhoso, você volta e a mala vai só esvaziando. Você volta de um jeito assim, cara, é experiência que a gente começa a valorizar e não coisas materiais. Agora o meu dinheiro é para viajar, não pra comprar roupa.

Carol: Comprar blusinha pra que? Se você pode conhecer outro país, outra cidade.

Mariana: Muito mais valioso. E cara, sobre as pessoas que a gente encontra no caminho, o que vocês acharam? Dos voluntários?

Luiza: Uma das minhas melhores amigas hoje eu conheci sendo voluntária. Eu cheguei em um hostel aqui em São Paulo, a gente se conheceu e a gente virou muito, muito migas. A gente é muito melhor amiga agora. Várias pessoas incríveis. De anfitrião mesmo, todas as vezes que eu fiquei eram pessoas ótimas de conversar, tinham muito da vida para ensinar porque todos tinham viajado muito antes de abrir um hostel.

Então eles me ensinaram muito e foi igual a Marla, eu não tive nenhum perrengue de pessoas que eu não me dei bem. Acho que por esse lance desse “espírito”, todo mundo lá tem esse espírito de viajante, você pega essa coisa em comum e vira um negócio muito “migos”.

Tá todo mundo fora de casa, tá todo mundo numa situação de um pouco mais de vulnerabilidade. Então parece que todo mundo se abre mais a escutar, a ser mais tolerante com as outras pessoas e quando você vê é isso. Todo mundo é uma família só, é migo, é inseparável. Eu gostei muito das pessoas. Todas as pessoas que eu conheci foram incríveis.

Marla: Eu acho que a pior parte é quando você tem que ir embora.

Luiza: Ou eles.

Carol: Nossa, você chora

Mariana: A minha anfitriã lá, que eu fiquei, eram duas amigas que montaram um hostel. São duas arquitetas e uma delas tinha uma filhinha pequenininha de uns 4 anos. O nome dela era “Russie”, não sei como se escreve ou fala. Mas cara, muito legal porque a gente se deu de cara, sabe? Eu e a menininha. Então a gente brincava, e teve aniversário dela, de 5 aninhos. E aí cara, minha anfitriã me convidou para ir na casa dela, a gente criou uma amizade, um relacionamento que ia além de voluntariado e de uma relação, sei lá, patrão-funcionário. Não era isso, entendeu? Era uma coisa sem palavras.

Eu passei meu aniversário lá e ela me deu uma diária para quando eu voltasse. Por que eu ia sair do voluntariado, eu ia rodar pela Europa e eu ia passar de volta lá na Holanda para encontrar com meu namorado, o Patrick. E aí a gente voltou para Holanda e ela sabia que eu ia fazer isso, então ela me deu duas diárias. Ela falou cara, de aniversário, vocês vão ficar no quarto reservado.

Carol: Eu ia ficar chocada se ela falasse para você ficar no dormitório com 14 pessoas. (risos)

Mariana: Muito fofo! Quando eu fui embora ela me escreveu uma carta. Eu sempre fui do tipo de voluntária que aproveitei 100% dos meus dias lá. Eu não dormia. A gente estava preparada para tudo. Então ia para festa, voltava às 5 horas da manhã, eu tinha que fazer café da manhã e acordava às 07h em ponto. Eu nunca cheguei atrasada ou aconteceu nada. Ela escreveu isso na carta, ela falou, “Ah, Mari, minha superstar” e ela começou a falar “você que sempre foi muito responsável, que mesmo 7 horas da manhã com cara de ressaca, estava lá, pronta para o tranco.” Então foi assim, muito gostoso sabe, recebi muito carinho, muito amor. Não só dela, né? Mas dos voluntários, você começa a ver a movimentação da galera e entender porque que a galera tá lá também, fazendo voluntário, sabe?

E você cria uma intimidade, você cria uma ligação. Como você falou, que a sua melhor amiga hoje você conheceu lá, e cara, hoje, se der algum perrengue na minha vida, eu vou ligar para a Júlia. A Júlia é a grega, né? E cara, eu vou falar com ela e ela vai dar o melhor conselho da vida, sabe? Então assim, eu acho que são relações que você faz que não tem preço.

Marla: O único problema é a distância, que às vezes você quer ver a pessoa.

Luiza: Mas o bom é que a gente viaja muito e uma hora a gente se encontra de novo.

Marla: E também são lugares que você pode ir que você sabe que tem uma casa.

Carol: Ah sim, essa é a melhor parte. É bom que você pode receber também. Eu tenho um amigo da França que a gente já está fazendo planos para o carnaval do ano que vem para ele ficar lá em casa. Chega aí, meu sofá está reservado para você.

Mariana: É isso, você acaba ganhando uma cama no futuro, né? Gente, e sobre idioma. Como é que era?

Carol: Cara, eu já tinha o inglês fluente, que eu estudei desde os 8 anos, então eu estudei por 10 anos inglês, eu dei aula e tal antes de viajar.

Mas o espanhol já era bem capenga. Eu já estudava fazia um tempinho, mas eu não tinha muita confiança. E aí quando eu fui para a Espanha era aquele negócio assim “se vira nos trinta, querida”, você tem que se comunicar. Eu evitava falar inglês tipo em recepção, restaurante, com as pessoas que falavam espanhol mesmo que eu conheci por lá, eu treinava muito.

Quando eu voltei para o Brasil, que eu continuei as aulas, eu lembro da minha professora falando “cara, é muito gritante a diferença”. Você ir é muito legal porque você tem uma fluidez muito maior e tal. E aí claro que você tem que continuar praticando, então já faz um tempinho que eu voltei e aí eu dei uma ramelada aí nisso. Mas dá para sentir muita diferença quando você volta e que você já manja um pouco mais daquele idioma.

Luiza: O que eu acho louco é que você tem um desenvolvimento muito rápido. Eu cheguei para ser voluntária no Uruguai e eu não falava uma palavra do idioma, nenhuma palavra em espanhol.

Eu fiquei na limpeza, só eu sei as vergonhas que eu passei tentando falar portunhol achando que eu tava arrasando. No final o próprio host falou “meu, é incrível a sua evolução no espanhol” e quando eu tava voltando para o aeroporto um taxista também falou. Eu disse: “eu vim aqui, não sabia falar nada de espanhol” e ele “nossa, você tá falando muito bem.” Para mim, esse é o principal elogio, alguém de lá falar “não, tá falando super bem, tá entendendo tudo” eu acho incrível, e é muito rápido.

Eu fiquei um mês e meio. Assim, se fossem 6 meses de aula aqui, eu não teria aprendido esse tanto que eu aprendi.

Marla: É assim, não importa o tanto horas, de aulas, de dias, de anos que você está estudando aqui. Quando você chegar lá, você vê que você tipo “não sabe nada”, porque você não tem a prática do falar, do ouvir, de conversação o tempo todo. Mas assim, uma semana depois, duas semanas depois é outra coisa, você deslancha.

Luiza: Porque não tem escapatória. Você vai ter que tirar o inglês de algum lugar para conseguir se comunicar. É o tempo todo, é o telefone que toca, uma pessoa que pergunta, que vem pedir alguma coisa. É o tempo todo. Então é muito rápido o desenvolvimento. Eu agora só quero aprender idioma assim!

Mariana: É porque você fica imersa, né?

Marla: Até falando em espanhol, eu conheci um espanhol em uma festa em Leeds, na Inglaterra, e ele falou assim “você fala espanhol?” e eu falei que sim! Mas aí depois ele falou “acho melhor falar inglês mesmo”.

Carol: Tipo, acabou com seus sonhos e esperanças do espanhol. E cara, isso que a Ma falou, de que não importa o quanto tempo que você estude aqui, que é muito diferente quando você chega lá, eu tinha estudado 10 anos, dava aula aqui e fui para Irlanda. O povo tem uma batata na boca!

Mariana: Eu assim, sempre estudei em cursinho mas nunca deslanchei, não conseguia me comunicar. Conseguia entender, mas não conseguia falar. Eu travava. Eu falei isso para minha anfitriã antes, acho que é importante sempre alinhar expectativa para a pessoa não ficar esperando de você uma coisa que você não sabe. Ela falou “não, não tem problema, vem para cá, vai dar tudo certo, você vai pegando e tal.”

Beleza cara, depois de um mês que eu tava lá, eu já conseguia falar normal com as pessoas. Claro que não era um vocabulário robusto, ainda não é um vocabulário mega incrível, sabe? Mas assim, a comunicação flui normal.

Carol: Então passa perrengue, né?

Mariana: Ah, e outra coisa, assim, acho que a gente como brasileiro tem muita vergonha de falar um idioma se a gente não domina. Principalmente inglês. A gente tem muita vergonha, fica se cobrando, tipo “Ai meu deus, vou falar tudo errado.”, e quando você vai lá para fora ninguém tá muito interessado, sabe? Ninguém tá nem aí. As pessoas só querem te conhecer, saber quem é você, qual sua experiência e querem ter uma relação com você, um relacionamento.

Então, essa questão do julgamento lá fora ela some. Assim, porque você vê que as pessoas te acolhem. Eu pedia para as pessoas me avisarem “cara, se eu falar uma coisa bizarra me avisa. Sabe, uma palavra, uma colocação, eu tô aqui mesmo para aprender”. É super colaborativo, as pessoas falavam assim tipo “Oh mari, você pode falar assim” e cara, só bastava falar uma vez, uma vez eu aprendia e. assim, em um mês estava fluindo tudo muito bem. Sério, mudou minha vida.

Marla: Você tem que entender que você está no país da pessoa e é isso mesmo, você não é obrigada a falar né, tipo, perfeito. A pessoa que tem que se sentir privilegiada que você está lá, se esforçando para falar na língua dela. Porque sei lá, o que eu acho, que quando os gringos vem pra cá, na maioria eles não se esforçam para falar português, né? Então eu acho que se você tem o básico, que dá para se virar. Você tem que ir lá, você vai se aperfeiçoando.

Mariana: É verdade, é isso. E, vamos falar agora dos lugares em si né, dos lugares que a gente passou. O que vocês gostaram mais de cada lugar que vocês passaram como voluntárias? Tipo assim, um “spot” diferente, um lugar muito específico, pouco turístico. Uma comida, uma feira, uma coisa assim, mega diferente e não manjada.

Luiza: É que um voluntariado meu foi em São Paulo e uma coisa não manjada em São Paulo, não sei, mas na Bahia, pô, tem uma praia lá bem pertinho do Quadrado mesmo que eu gosto muito. Tem a junção do rio com o mar, que eu gosto muito. Eu acho lindo. Passando o rio eu ia debaixo de uma árvore incrível, que você vê bem a vista do mar com o rio, eu ia todo dia lá meditar. Muito incrível.

E no Uruguai também, meu hostel era muito, muito afastado de qualquer coisa da cidade. Só tinha o hostel no meio do nada, assim, era a estrada e a praia. Então a praia já era muito vazia e no final da praia tinha um cantinho com as pedras batendo o mar que ninguém ia. Bom, meu lugar preferido é sempre a praia que não tem ninguém.

Carol: Cara, em Dublin, a Guest House que eu fiquei também era meio afastada assim, era um lugar super acessível ao centro, era 40 minutos andando, mas era bem residencial e tal. Tinha como se fosse um Food Truck assim, tipo uma vilazinha, um negócio assim que era uma delícia.

Não ia ninguém, só os locais mesmo e cara, era muito bom porque você conhecia as pessoas e as comidas e as coisas que são deles mesmo. Ainda mais em Dublin, que só tinha brasileiro, gente, tem muito brasileiros em Dublin. É um negócio assim, eu saía todos os dias na rua e eu ouvia português. Era Bizarro. E lá, zero contato com culturas externas, era uma coisa bem deles. Então eu gostava muito de passear nesse Food Truck, era especial para mim.

Marla: Bom, eu acho que os três lugares que eu fui pela Worldpackers já eram lugares mais diferentes, né? Um em Málaga, na Espanha, que é uma cidadezinha no sul perto de Granada, que já é um lugar mais famosinho. E aí tipo, é uma cidade minúscula que tem umas praias lindas e aí eu não sei, Málaga é a cidade onde o Picasso nasceu. Então tudo lá era meio que em função do Picasso, ele era a estrela do lugar.

Os museus, era tudo tipo assim: “O Picasso esteve aqui.” Então era muito famosa por conta disso, então iam muitas pessoas velhas para lá, infelizmente, né? Porque eu amo Picasso.

Mas assim, eu acho que na Espanha no geral, eu gostava dos 100 Montaditos, que toda a quarta-feira e todo domingo você pedia a cartela do menu por um euro. Então você pedia porções de fritas, porções de frango, um chopp, sei lá e gastava cinco euros.

Carol: Pique El Tigre! Não sei se vocês conhecem, tem em Madrid e mais em uma porrada de cidade na Espanha. Cara, era tipo assim, cinco euros você fazia uma festa, ainda pegava uma jarra de sangria e saia retardado do lugar. Com a barriga cheia, era assim incrível, meu sonho.

Luiza: Como chamava aquela festa em Dublin que era tudo dois euros? Na Dicey’s!

Carol: Isso, era muito louco cara, claro que a bebida não era de alta qualidade, né gente? Mas ah, uma coisa que eu sinto muita saudade mesmo de Dublin é a cidra deles. É incrível, aqui é aquela bebida horrorosa de maçã. Lá é quase um drink. Eu tomava todo santo dia. Quase alcoólatra. Não tem aqui.

Mariana: Em Rotterdam, cara, eu acho que assim, Rotterdam é uma cidade muito linda, eu sempre falo que gosto mais que Amsterdam.

Marla: É outra vibe, né? É uma vibe mais arquitetônica, tecnológica.

Mariana: É outra parada e é mais barato também que Amsterdam. Então assim, eu acho que todos os lugares turísticos que existem como as Casas Cubo, a Ponte Erasmus, é muito bonito de ver, mas assim, o que eu gostava mesmo na verdade fazer em Rotterdam era sentar com a minha galera nos barzinhos ali na Rotown, que era um lugar que a gente frequentava muito que era barato. Tipo, tinha happy hour daí tipo, dois chopps por um euro.

Marla: Cara, melhor coisa do voluntariado é você conhecer os locais e saber os points que são muito baratos os pints, as cervejas da vida.

Mariana: O que eu gostava de fazer mesmo em Rotterdam era isso sabe, trocar conhecimento, experiência, tomar uma cervejinha e ficar de boa.

Mas eu acho que de imperdível e aí já entra na Holanda, né? Que eu falei pra vocês da feira do queijo de Gouda, que obviamente é conhecida essa feira, não é nada de novo. Mas as pessoas que vão para Holanda, elas não estão acostumadas a ir e cara, inclui. Pra quem gosta de queijo, quem gosta de cidadezinhas pequenininhas tipo medieval, inclui isso se você passar pela Holanda. Por que é incrível, sem palavras.

E nessa feira de queijos têm stroopwafels. Vocês comeram lá na Holanda?

Marla: E também é uma coisa que tipo, no Brasil você vai comprar e não tem nada a ver.

Mariana: Parece biscoito, trakinas sabe, horrível

Luiza: Bolacha!

Mariana: Biscoito, cara!

Mariana: Mas assim, stroopwafel é tipo uma bolacha bem fininha com recheio de caramelo quente. E nessa feira de queijos de Gouda, cara, tem um vôzinho lá, todo mundo vai saber. É um velhinho que fica sozinho na barraquinha fazendo na hora, tanto a massa quanto o caramelo e era também ridículo de barato. Sei lá, dois euros para uma parada gigantesca. E assim, tem que ir lá, tem que comer stroopwafel quentinho feito na hora por esse vôzinho. Ele é incrível, sério.

Carol: Boa, anotado!

Mariana: Gente, a gente já está mais ou menos chegando no fim do Podcast. Para a gente dar uma encerada, eu queria que vocês falassem sobre como que vocês são hoje depois de ter feito essa experiência como voluntárias e uma palavra que define vocês.

Luiza: Ah eu acho que eu sou muito mais empoderada. Meu canto no mundo, meu espaço no mundo. O lance é: qualquer espaço no mundo.

Eu sou muito mais empoderada na questão de “o mundo é meu e todas as outras mulheres” e vamos aí, eu acho que foi a principal consciência que eu tive depois começar a viajar sozinha. Perder esse medo, se empoderar como pessoa e como mulher também.

Carol: Para mim eu acho que é autoconsciente. Assim, eu tava numa época muito bizarra que eu tava me sentindo muito para baixo e que eu achava que “eu não sou capaz de fazer certas coisas” e que “isso não é para mim”, sabe? Aquele pensamento meio pessimista?

E aí eu fui viajar. Aí você vê o mundo, abre sua cabeça para tudo e eu voltei falando “cara, que ridículo, olha como eu pensava”, tipo, eu me limitava a umas coisas que não fazem o menor sentido na minha vida e aí a partir disso eu comecei a fazer escolhas muito mais conscientes para mim mesma e via que essas escolhas não são “ou’s”, são escolhas em que você vai fazendo “e’s”. Tipo, eu não preciso escolher entre ser feliz ou ter dinheiro. Acho que muita gente antes de viajar pensava assim e volta pensando diferente. Então eu voltei pensando que mané eu preciso de dinheiro? Eu preciso ser feliz. Eu preciso continuar essa minha jornada de autoconhecimento, de me sentir bem, sabe, então acho que é muito isso.

Marla: Eu acho que para mim também seria o autoconhecimento. Sei lá, você saber exatamente, talvez não saber exatamente o que você quer, mas saber o que você não quer para você.

Luiza: Você aprende muito sobre você quando você está viajando sozinha. Uma semana viajando sozinho você aprende sobre você o que você não aprendeu em um ano numa rotina assim. Eu aprendi muito sobre o que eu sou, o que eu quero, ou o que eu não quero e que eu não gosto.

Mariana: É se empoderar, como você falou.

Marla: Autoconhecimento é uma coisa que vai levando você a saber o seu lugar no mundo, que são vários. Vai levando você a entender o que você não quer, que tipo de pessoa você quer no seu lado, que isso acho que não sei, a gente não tem noção eu acho, no geral assim.

É tanta informação que a gente não sabe exatamente o que que a gente não quer de pessoas, né? Às vezes isso te leva também a estar em um relacionamento abusivo, não só de namorado, essas coisas, mas de familiares, amigos que às vezes você acha que são seus amigos mas puxa, não sei se é meu amigo de verdade.

E também, levando para o lado de que quando você conhece as pessoas, você também respeita o espaço delas, né? O momento delas. E que tudo bem se ela não vai mandar mensagem hoje ou semana que vem. Imagina, você faz amigos lá fora e você não vai falar com eles o tempo inteiro, não vai compartilhar tudo. Eles também têm o momento deles, mas se você sabe que quando vocês se encontrarem vai ser lindo do mesmo jeito, então é tolerância.

É tolerar as coisas que valem a pena tolerar, não vamos para o lado negativo, né? Não confundir as coisas. E acho que viajar sozinha é autoconhecimento.

Mariana: É, para mim eu diria resiliência. Eu acho que viajar abre a cabeça e abre caminhos. Tudo pode acontecer. Coisas boas e coisas ruins, como a gente já falou aqui, enfim, a gente sabe.

Eu acho que você aprender com seus erros, você se deparar com pessoas que não te agradaram, te fizeram alguma coisa ruim. Nem falo isso mais da viagem, sabe. Eu digo que a viagem me tornou uma pessoa resiliente nas situações que eu encontro hoje na vida, hoje na minha rotina de trabalho, na família, em São Paulo.

Acho que isso acaba te dando um outro olhar e te fortalece, sabe? Porque você tem problemas, tem dificuldades e aquilo te fortalece. Você se reforça, você se reconhece e fica tranquila.

E vamo para cima! Vamos para próxima! É o famoso “deboísmo”, famoso vamos com calma.

Exato, eu diria que é isso: Resiliência + Autoconhecimento + Empoderamento. Olha que incrível!

Carol: Que delícia né, olha que encontro!

Mariana: Demais, gente. É isso então, como vocês ouviram aqui nesse Podcast, nós somos pessoas reais, nós somos viajantes também.

Carol: Não estamos vendendo um produto.

Mariana: Não estamos vendendo um produto que a gente não acredita, só falamos verdades. Realmente.

É isso, espero que vocês tenham gostado, espero que de alguma forma vocês tenham se inspirado para que vocês possam viajar. Para vocês mulheres, principalmente: confiem no taco de vocês! Vai dar tudo certo!

Carol: Nossa intuição também, confia sempre na sua intuição. Ela vai falar mais do que qualquer pessoa, mais do que qualquer cenário na sua vida.

Mariana: É isso, estamos chegando no fim. Espero que vocês tenham gostado e não se esqueçam de seguir a gente no nosso canal do SoundCloud, do ITunes e deixar uma avaliação. É muito importante para a gente ter esse retorno de vocês, porque assim a gente vai conseguir construir um conteúdo de mais qualidade ainda.

Por fim, eu gostaria de deixar um texto que logo quando eu estava voltando do hostel, no meu último dia, eu escrevi lá em Rotterdam, na Holanda, como eu contei para vocês, e eu tava um pouco assim: meio triste de ter que voltar para o Brasil e ao mesmo tempo muito feliz pela experiência que eu tive.

Eu queria compartilhar com vocês o textinho pequenininho que eu escrevi. Espero que isso também seja de alguma forma mais inspirador ainda para vocês, como esse Podcast.

"Aprendi que os holandeses são as pessoas mais gentis que já conheci.

Aprendi sobre o equilíbrio da vida dos gregos e sobre a sua resiliência.

Aprendi que os portugueses sabem mais da gente do que a gente deles.

Aprendi que amo stroopwafel mais que brigadeiro. Que amo Rotterdam mais que Amsterdam.

Que os espanhóis são gente como a gente, que os italianos são os mais doces, os franceses os mais doidos, os indianos mais sorridentes e os chineses os mais fofinhos.

Aprendi a dividir um quarto e uma vida com pessoas de quatro culturas totalmente diferentes. Aprendi a ser família longe da minha.

Aprendi a fazer faxina e lavar minha roupa. Aprendi sobre um novo país, novas regras e responsabilidades no melhor hostel da Holanda. Aprendi a me comunicar melhor, a ser mais gentil e compreensiva.

Aprendi a perder a vergonha e ser mais Mariana ainda.

Aprendi a aprender com as diferenças e a amá-las.

Entendi que tudo tem seu tempo e seu propósito.

Aprendi que o Brasil é um país muito, muito doido mas que eu amo mais que qualquer outro.

Que ganhei novos amigos, novas histórias e planos breves e felizes para o futuro."

Obrigada, obrigada, obrigada.

Até a próxima! Valeu!


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Mariana

Nov 07, 2018

Apaixonada por tudo que é transformador. O mundo é de trocas e tô pronta para deixar e receber :)


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